Em horas como essa eu percebo o quanto eu era próxima a você, dependente de você. Porque durante 3 anos você foi meu pequeno milagre particular, a pessoa com quem eu podia contar nessas longas horas de vácuo emocional.
E então você foi embora, ligou o “foda-se” e se foi. E eu fiquei sem entender nada! Por que na minha cabeça de cão adestrado a gente só recebe o que merece, e eu nada fizera para merecer aquilo. E nada me fazia muito sentido, e na hora eu analisei erradamente o balanço de perdas e ganhos. E aqui me vejo sentindo a sua falta, e percebendo que pequenos milagres particulares não acontecem todos os dias.
E eu percebi que eu sempre tive sorte por ter tido por perto pessoas como você e alguns outros que preencheram a vaga, pessoas que faziam as vezes de almas irmãs, pessoas com quem eu tinha aquela empatia, afinidade de passar boas horas juntos vivendo o mesmo tipo de vida. Mas agora eu percebi que aquilo de sempre ter alguém como você por perto era apenas sorte de principiante. E na vida há momentos em que você fica sozinha, e que não há pessoa no mundo pra entender que porra de solidão incurável é essa que a Marta sente. Porque até hoje meus melhores companheiros sempre foram os que entenderam bem que tipo de solidão eu estava a sentir, que se identificaram com isso.
Aqui estou eu sentindo a sua falta, e sabendo que as escolhas foram feitas, e que nenhuma delas me envolvia. Que tudo isso é independente da minha vontade. Aqui estou eu sem nenhuma companhia a altura, sem nenhuma alma gêmea momentânea pra me ajudar a lidar com minha dor, pra dividir tudo isso e com quem me sentir realmente confortável.
domingo, 5 de junho de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Se os homens menstruassem
Gloria Steinem - 1978
In: Memórias da Transgressão. Tradução de Claudia Costa Guimarães. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.
Morar na Índia me fez compreender que a minoria branca do mundo passou séculos nos enganando para que acreditássemos que a pele branca faz uma pessoa superior a outra. Mas na verdade a pele branca só é mais suscetível aos raios ultravioleta e propensa a rugas.
Ler Freud me deixou igualmente cética quanto à inveja do pênis. O poder de dar à luz faz a "inveja do útero" mais lógica e um órgão tão externo e desprotegido como o pênis deixa os homens extremamente vulneráveis.
Mas ao ouvir recentemente uma mulher descrever a chegada inesperada de sua menstruação (uma mancha vermelha se espalhara em seu vestido enquanto ela discutia, inflamada, num palco) eu ainda ranjo os dentes de constrangimento. Isto é, até ela explicar que quando foi informada aos sussurros deste acontecimento óbvio, ela dissera a uma platéia 100% masculina: "Vocês deveriam estar orgulhosos de ter uma mulher menstruada em seu palco. É provavelmente a primeira coisa real que acontece com vocês em muitos anos!"
Risos. Alívio. Ela transformara o negativo em positivo. E de alguma forma sua história se misturou à Índia e a Freud para me fazer compreender finalmente o poder do pensamento positivo. Tudo o que for característico de um grupo "superior" será sempre usado como justificativa para sua superioridade e tudo o que for característico de um grupo "inferior" será usado para justificar suas provações. Homens negros eram recrutados para empregos mal pagos por serem, segundo diziam, mais fortes do que os brancos, enquanto as mulheres eram relegadas a empregos mal pagos por serem mais "fracas". Como disse o garotinho quando lhe perguntaram se ele gostaria de ser advogado quando crescesse, como a mãe, "Que nada, isso é trabalho de mulher." A lógica nada tem a ver com a opressão.
Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?
Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino:
Os homens se gabariam da duração e do volume.
Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.
Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os poderosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do coração, contra os quais os homens estariam, hormonalmente, protegidos e muito a respeito das cólicas menstruais.
Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath - "Para aqueles dias de fluxo leve".
As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquistam um maior número de medalhas olímpicas.
Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos citariam a menstruação ("men-struação", de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha ("Você precisa dar seu sangue para tirar sangue"), ocupariam os mais altos cargos ("Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?"), ser padres, pastores, o Próprio Deus ("Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados"), ou rabinos ("Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas").
Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mulher poderia se juntar à sua luta, contanto que reconhecesse a supremacia dos direitos menstruais ("O resto não passa de uma questão") ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês ("Você precisa dar seu sangue pela revolução").
O povo da malandragem inventaria novas gírias (“Aquele ali é de usar três absorventes de cada vez") e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:
- Cara, tu tá bonito pacas!
- É cara, tô de chico!
Programas de televisão discutiriam abertamente o assunto. (No seriado Happy Days: Richie e Potsie tentam convencer Fonzie de que ele ainda é "The Fonz", embora tenha pulado duas menstruações seguidas. Hilt Street Blues: o distrito policial inteiro entra no mesmo ciclo.) Assim como os jornais. (TERROR DO VERÃO: TUBARÕES AMEAÇAM HOMENS MENSTRUADOS. JUIZ CITA MENSTRUAÇÃO EM PERDÃO A ESTUPRADOR.) E os filmes fariam o mesmo (Newman e Redford em Irmãos de Sangue).
Os homens convenceriam as mulheres de que o sexo é mais prazeroso "naqueles dias". Diriam que as lésbicas têm medo de sangue e, portanto, da própria vida, embora elas precisassem mesmo era de um bom homem menstruado.
As faculdades de medicina limitariam o ingresso de mulheres ("elas podem desmaiar ao verem sangue").
É claro que os intelectuais criariam os argumentos mais morais e mais lógicos. Sem aquele dom biológico para medir os ciclos da lua e dos planetas, como pode uma mulher dominar qualquer disciplina que exigisse uma maior noção de tempo, de espaço e da matemática, ou mesmo a habilidade de medir o que quer que fosse? Na filosofia e na religião, como pode uma mulher compensar o fato de estar desconectada do ritmo do universo? Ou mesmo, como pode compensar a falta de uma morte simbólica e da ressurreição todo mês?
A menopausa seria celebrada como um acontecimento positivo, o símbolo de que os homens já haviam acumulado uma quantidade suficiente de sabedoria cíclica para não precisar mais da menstruação.
Os liberais do sexo masculino de todas as áreas seriam gentis com as mulheres. O fato "desses seres" não possuírem o dom de medir a vida, os liberais explicariam, já é em si castigo bastante.
E como será que as mulheres seriam treinadas para reagir? Podemos imaginar uma mulher da direita concordando com todos os argumentos com um masoquismo valente e sorridente. (“A Emenda de Igualdade de Direitos forçaria as donas de casa a se ferirem todos os meses": Phyllis Schlafy. "O sangue de seu marido é tão sagrado quanto o de Jesus e, portanto, sexy também!": Marabel Morgan.) Reformistas e Abelhas Rainhas ajustariam suas vidas em torno dos homens que as rodeariam. As feministas explicariam incansavelmente que os homens também precisam ser libertados da falsa impressão da agressividade marciana, assim como as mulheres teriam de escapar às amarras da "inveja menstrual". As feministas radicais diriam ainda que a opressão das que não menstruam é o padrão para todas as outras opressões. ("Os vampiros foram os primeiros a lutar pela nossa liberdade!") As feministas culturais exaltariam as imagens femininas, sem sangue, na arte e na literatura. As feministas socialistas insistiriam em que, uma vez que o capitalismo e o imperialismo fossem derrubados, as mulheres também menstruariam. ("Se as mulheres não menstruam hoje, na Rússia", explicariam, "é apenas porque o verdadeiro socialismo não pode existir rodeado pelo capitalismo.”)
Em suma, nós descobriríamos, como já deveríamos ter adivinhado, que a lógica está nos olhos do lógico. (Por exemplo, aqui está uma idéia para os teóricos e lógicos: se é verdade que as mulheres se tornam menos racionais e mais emocionais no início do ciclo menstrual, quando o nível de hormônios femininos está mais baixo do que nunca, então por que não seria lógico afirmar que em tais dias as mulheres comportam-se mais como os homens se portam o mês inteiro? Eu deixo outros improvisos a seu cargo.
A verdade é que, se os homens menstruassem, as justificativas do poder simplesmente se estenderiam, sem parar.
Se permitíssemos.
In: Memórias da Transgressão. Tradução de Claudia Costa Guimarães. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997.
Morar na Índia me fez compreender que a minoria branca do mundo passou séculos nos enganando para que acreditássemos que a pele branca faz uma pessoa superior a outra. Mas na verdade a pele branca só é mais suscetível aos raios ultravioleta e propensa a rugas.
Ler Freud me deixou igualmente cética quanto à inveja do pênis. O poder de dar à luz faz a "inveja do útero" mais lógica e um órgão tão externo e desprotegido como o pênis deixa os homens extremamente vulneráveis.
Mas ao ouvir recentemente uma mulher descrever a chegada inesperada de sua menstruação (uma mancha vermelha se espalhara em seu vestido enquanto ela discutia, inflamada, num palco) eu ainda ranjo os dentes de constrangimento. Isto é, até ela explicar que quando foi informada aos sussurros deste acontecimento óbvio, ela dissera a uma platéia 100% masculina: "Vocês deveriam estar orgulhosos de ter uma mulher menstruada em seu palco. É provavelmente a primeira coisa real que acontece com vocês em muitos anos!"
Risos. Alívio. Ela transformara o negativo em positivo. E de alguma forma sua história se misturou à Índia e a Freud para me fazer compreender finalmente o poder do pensamento positivo. Tudo o que for característico de um grupo "superior" será sempre usado como justificativa para sua superioridade e tudo o que for característico de um grupo "inferior" será usado para justificar suas provações. Homens negros eram recrutados para empregos mal pagos por serem, segundo diziam, mais fortes do que os brancos, enquanto as mulheres eram relegadas a empregos mal pagos por serem mais "fracas". Como disse o garotinho quando lhe perguntaram se ele gostaria de ser advogado quando crescesse, como a mãe, "Que nada, isso é trabalho de mulher." A lógica nada tem a ver com a opressão.
Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?
Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino:
Os homens se gabariam da duração e do volume.
Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.
Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os poderosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do coração, contra os quais os homens estariam, hormonalmente, protegidos e muito a respeito das cólicas menstruais.
Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath - "Para aqueles dias de fluxo leve".
As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquistam um maior número de medalhas olímpicas.
Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos citariam a menstruação ("men-struação", de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha ("Você precisa dar seu sangue para tirar sangue"), ocupariam os mais altos cargos ("Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?"), ser padres, pastores, o Próprio Deus ("Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados"), ou rabinos ("Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas").
Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mulher poderia se juntar à sua luta, contanto que reconhecesse a supremacia dos direitos menstruais ("O resto não passa de uma questão") ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês ("Você precisa dar seu sangue pela revolução").
O povo da malandragem inventaria novas gírias (“Aquele ali é de usar três absorventes de cada vez") e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:
- Cara, tu tá bonito pacas!
- É cara, tô de chico!
Programas de televisão discutiriam abertamente o assunto. (No seriado Happy Days: Richie e Potsie tentam convencer Fonzie de que ele ainda é "The Fonz", embora tenha pulado duas menstruações seguidas. Hilt Street Blues: o distrito policial inteiro entra no mesmo ciclo.) Assim como os jornais. (TERROR DO VERÃO: TUBARÕES AMEAÇAM HOMENS MENSTRUADOS. JUIZ CITA MENSTRUAÇÃO EM PERDÃO A ESTUPRADOR.) E os filmes fariam o mesmo (Newman e Redford em Irmãos de Sangue).
Os homens convenceriam as mulheres de que o sexo é mais prazeroso "naqueles dias". Diriam que as lésbicas têm medo de sangue e, portanto, da própria vida, embora elas precisassem mesmo era de um bom homem menstruado.
As faculdades de medicina limitariam o ingresso de mulheres ("elas podem desmaiar ao verem sangue").
É claro que os intelectuais criariam os argumentos mais morais e mais lógicos. Sem aquele dom biológico para medir os ciclos da lua e dos planetas, como pode uma mulher dominar qualquer disciplina que exigisse uma maior noção de tempo, de espaço e da matemática, ou mesmo a habilidade de medir o que quer que fosse? Na filosofia e na religião, como pode uma mulher compensar o fato de estar desconectada do ritmo do universo? Ou mesmo, como pode compensar a falta de uma morte simbólica e da ressurreição todo mês?
A menopausa seria celebrada como um acontecimento positivo, o símbolo de que os homens já haviam acumulado uma quantidade suficiente de sabedoria cíclica para não precisar mais da menstruação.
Os liberais do sexo masculino de todas as áreas seriam gentis com as mulheres. O fato "desses seres" não possuírem o dom de medir a vida, os liberais explicariam, já é em si castigo bastante.
E como será que as mulheres seriam treinadas para reagir? Podemos imaginar uma mulher da direita concordando com todos os argumentos com um masoquismo valente e sorridente. (“A Emenda de Igualdade de Direitos forçaria as donas de casa a se ferirem todos os meses": Phyllis Schlafy. "O sangue de seu marido é tão sagrado quanto o de Jesus e, portanto, sexy também!": Marabel Morgan.) Reformistas e Abelhas Rainhas ajustariam suas vidas em torno dos homens que as rodeariam. As feministas explicariam incansavelmente que os homens também precisam ser libertados da falsa impressão da agressividade marciana, assim como as mulheres teriam de escapar às amarras da "inveja menstrual". As feministas radicais diriam ainda que a opressão das que não menstruam é o padrão para todas as outras opressões. ("Os vampiros foram os primeiros a lutar pela nossa liberdade!") As feministas culturais exaltariam as imagens femininas, sem sangue, na arte e na literatura. As feministas socialistas insistiriam em que, uma vez que o capitalismo e o imperialismo fossem derrubados, as mulheres também menstruariam. ("Se as mulheres não menstruam hoje, na Rússia", explicariam, "é apenas porque o verdadeiro socialismo não pode existir rodeado pelo capitalismo.”)
Em suma, nós descobriríamos, como já deveríamos ter adivinhado, que a lógica está nos olhos do lógico. (Por exemplo, aqui está uma idéia para os teóricos e lógicos: se é verdade que as mulheres se tornam menos racionais e mais emocionais no início do ciclo menstrual, quando o nível de hormônios femininos está mais baixo do que nunca, então por que não seria lógico afirmar que em tais dias as mulheres comportam-se mais como os homens se portam o mês inteiro? Eu deixo outros improvisos a seu cargo.
A verdade é que, se os homens menstruassem, as justificativas do poder simplesmente se estenderiam, sem parar.
Se permitíssemos.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Felicidade repentina, sem motivo razão ou plausibilidade biológica.

Eu não perco essa mania de pensar na vida com 10 anos de antecedência.
Sobre o dia de hoje, eu só consigo pensar a respeito dele nos seguintes termos: Como vou lembra-lo quando tudo isso estiver longe. Vou lembrar da alegria épica que senti quando a professora anunciou que a prova seria em dupla. Vou lembrar do citocromo P450 e suas enzimas (que ninguém estudou). Vou lembrar que todo mundo sabia quais eram as reações de 1ª tipo, mas que ninguém se lembrou de estudar as de 2ª. Lembrarei que até a professora passou cola! Mas, acima de tudo, vou me lembrar do quão feliz me senti por estar fazendo uma prova anormalmente longa de fármaco, em uma semana especialmente escrota na UEPA.
Eu sei que sou uma pessoa estranha demais, porque vejo alegria onde não tem. Porque as vezes eu amo a minha vida tão loucamente que vejo poesia numa prova, numa quarta-feira chuvosa.
Eu não sei se as pessoas conseguem alcançar meu estado de espírito. É melhor estar viva e enrolada com as coisas normais da vida do que estar apática, olhando a vida acontecer à distância. Hoje eu estou feliz porque várias vezes pensei em desistir, mas segui adiante. E, ao seguir, vi as coisas se encaixarem, se não da maneira ideal, pelo menos do jeito que deu.
Não tenho pretensão de que alguém entenda meus motivos. Há muito já me conformei que bato ponto no clube das pessoas loucas. Mas, se algum dia você acordar com o humor tão bom a ponto de querer sorrir até pro azar, então porque não sorrir?? Afinal, se tem algo que eu já aprendi sobre a vida até aqui e que, em alguns dias, você é feliz, em outros, você não é. Simples assim. Cruel até.
domingo, 3 de abril de 2011
Hoje eu to com MUITA saudade do meu pai. Definitivamente não é o melhor dia pra estudar Insuficiência Cardíaca.
Hoje é aniversário do papai. E essa tríade medicina/pai/orfandade sempre mexeu muito comigo, e eu nunca fiz muita questão de esconder. E como se eu tivesse passado a vida inteira jogando pra fazer um gol pra uma pessoa, e na hora que consegui marcar, a pessoa não tava mais pra ver. Esse tipo de frustração você carrega a vida inteira, não tem jeito.
E esse processo todo de descobrir um motivo pra fazer as coisas por mim mesma, de tentar saber se é isso mesmo de fato e depois aceitar que sim, é isso mesmo e que é por mim e não por ninguém mais... Esse longo processo todo que eu tenho passado nos últimos 5 anos da minha vida... Tem sido um saco!
Eu nunca pensei que fosse me tornar uma pessoa tão complicada justamente logo depois de ter conseguido o que eu quis a vida inteira. Mas aconteceu, né. É a minha história e tal e coisa. As vezes eu fico muito puta das coisas terem acontecido da forma como foram. Às vezes eu queria que as coisas tivessem sido, se não simples, ao menos não tão traumáticas. Eu queria estar onde eu devia estar, não onde eu to! Porém reclamar não vai mudar nada, ficar se lamentando é perda de tempo. Finalmente eu aprendi isso, depois de ter perdido todo o tempo que eu dispunha pra perder.
Irônico isso, logo eu que sempre vi a vida em prazos e metas, que sempre via as coisas na minha vida com 10 anos de antecedência, que me desesperava com as coisas, com o tempo. Agora tô aqui tentando aceitar que a vida é mais flexível do que minha sabedoria de menina de 16 anos supunha.
Eu reconheço que aprendi algumas coisas legais no processo. Aprendi a me soltar, a me importar menos (isso é um aprendizado contínuo, diga-se de passagem), aprendi a erguer a cabeça e seguir em frente quando as coisas não saem como eu queria, e isso pra mim é muito importante porque antigamente eu me acovardava diante da vida que nem uma tartaruga! Mas essas coisas eu aprendi na marra, apanhando de todos os lados. E sim, eu tenho ressentimentos quanto a todo esse processo, eu tenho saudades dos meus planos redondos. Pergunto-me como seria a vida se tudo tivesse dado certo até aqui. Esses momentos são rápidos, até porque, como já disse, não adianta perder tempo se lamentando. Mas eles existem e não são agradáveis.
Engraçado que eu tenho a impressão de que vi a vida toda que eu tinha vivido até então desmoronar diante de mim. E não foram coisas concretas, não foi a minha casa que caiu ou alguma tragédia natural, foram coisas abstratas, e essas coisas são complicadas de lidar.
E aqui estou eu, reconstruindo tijolinho por tijolinho. Tentando conciliar tudo que eu aprendi nesse tempo, tudo que mudou em mim, com as coisas que eu ainda quero que dêem certo. E nem sempre as coisas dão certo, e às vezes eu me frustro tremendamente.
Se eu tivesse simplesmente mudado e seguido outros rumos, teria sido muito mais fácil pros outros compreenderem as coisas. Teria sido mais fácil reconstruir com coisas novas! Mas essa coisa toda de mudar tanto, pra descobrir-se querendo ainda as mesmas coisas de antes, e ter que recomeçar tudinho com passinho de formiguinha, isso é complicado e de difícil assimilação. E como se não bastasse eu me sentir perdida simplesmente por conta da situação onde me encontro, ainda me sinto profundamente incompreendida.
Desabafo de uma pessoa meio desesperada e estressada com as coisas. Mas, pra fechar com uma coisa otimista eu digo com tranqüilidade que as coisas já melhoraram uns 75%, 80%. E a vida é assim mesmo, seguindo em frente.
Hoje é aniversário do papai. E essa tríade medicina/pai/orfandade sempre mexeu muito comigo, e eu nunca fiz muita questão de esconder. E como se eu tivesse passado a vida inteira jogando pra fazer um gol pra uma pessoa, e na hora que consegui marcar, a pessoa não tava mais pra ver. Esse tipo de frustração você carrega a vida inteira, não tem jeito.
E esse processo todo de descobrir um motivo pra fazer as coisas por mim mesma, de tentar saber se é isso mesmo de fato e depois aceitar que sim, é isso mesmo e que é por mim e não por ninguém mais... Esse longo processo todo que eu tenho passado nos últimos 5 anos da minha vida... Tem sido um saco!
Eu nunca pensei que fosse me tornar uma pessoa tão complicada justamente logo depois de ter conseguido o que eu quis a vida inteira. Mas aconteceu, né. É a minha história e tal e coisa. As vezes eu fico muito puta das coisas terem acontecido da forma como foram. Às vezes eu queria que as coisas tivessem sido, se não simples, ao menos não tão traumáticas. Eu queria estar onde eu devia estar, não onde eu to! Porém reclamar não vai mudar nada, ficar se lamentando é perda de tempo. Finalmente eu aprendi isso, depois de ter perdido todo o tempo que eu dispunha pra perder.
Irônico isso, logo eu que sempre vi a vida em prazos e metas, que sempre via as coisas na minha vida com 10 anos de antecedência, que me desesperava com as coisas, com o tempo. Agora tô aqui tentando aceitar que a vida é mais flexível do que minha sabedoria de menina de 16 anos supunha.
Eu reconheço que aprendi algumas coisas legais no processo. Aprendi a me soltar, a me importar menos (isso é um aprendizado contínuo, diga-se de passagem), aprendi a erguer a cabeça e seguir em frente quando as coisas não saem como eu queria, e isso pra mim é muito importante porque antigamente eu me acovardava diante da vida que nem uma tartaruga! Mas essas coisas eu aprendi na marra, apanhando de todos os lados. E sim, eu tenho ressentimentos quanto a todo esse processo, eu tenho saudades dos meus planos redondos. Pergunto-me como seria a vida se tudo tivesse dado certo até aqui. Esses momentos são rápidos, até porque, como já disse, não adianta perder tempo se lamentando. Mas eles existem e não são agradáveis.
Engraçado que eu tenho a impressão de que vi a vida toda que eu tinha vivido até então desmoronar diante de mim. E não foram coisas concretas, não foi a minha casa que caiu ou alguma tragédia natural, foram coisas abstratas, e essas coisas são complicadas de lidar.
E aqui estou eu, reconstruindo tijolinho por tijolinho. Tentando conciliar tudo que eu aprendi nesse tempo, tudo que mudou em mim, com as coisas que eu ainda quero que dêem certo. E nem sempre as coisas dão certo, e às vezes eu me frustro tremendamente.
Se eu tivesse simplesmente mudado e seguido outros rumos, teria sido muito mais fácil pros outros compreenderem as coisas. Teria sido mais fácil reconstruir com coisas novas! Mas essa coisa toda de mudar tanto, pra descobrir-se querendo ainda as mesmas coisas de antes, e ter que recomeçar tudinho com passinho de formiguinha, isso é complicado e de difícil assimilação. E como se não bastasse eu me sentir perdida simplesmente por conta da situação onde me encontro, ainda me sinto profundamente incompreendida.
Desabafo de uma pessoa meio desesperada e estressada com as coisas. Mas, pra fechar com uma coisa otimista eu digo com tranqüilidade que as coisas já melhoraram uns 75%, 80%. E a vida é assim mesmo, seguindo em frente.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Something's wrong with me, Nana
"It never feels ... enough. Is it too much to ask for someone to be interesting? I just want to feel equal. Is it too much?"
quarta-feira, 2 de março de 2011
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