Se você não assiste American Idol, nada disso fará sentido.
Kris Allen!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ele tinha tudo para ser um candidato a passar batido no Top 36. Os jurados já tinham os seus 3 favoritos, e ele não figurava na lista. Por sorte do destino o Matt Girard conseguiu cagar a noite e o Kris arrasou com Men in the Mirror. Confesso que fiquei P da vida, revoltada. Afinal ele deixou de lado o carismático pianista. Meu único consolo é que precisávamos de candidatos para serem eliminados cedo, sem que isso causasse estrago ao programa.
Então veio o Top 13 e ele se saio bem, mas me recusei a aceitar seu talento. Mais uma rodada de sorte, mas no final os verdadeiros talentos iriam prevalecer. Nessa altura, minha torcida era Danny. Alisson começava a arrecadar minha simpatia e em Adam eu reconhecia um grande talento, mas que não fazia meu estilo.
Com o passar dos programas o Danny se mostrou um cantor excelente, mas brega. Uma espécie de Archuleta 2, cujo talento como cantor não compensava o cafonice das escolhas. A Alisson se mostrou uma cantora ótima, mas que insistia em querer ser uma rocker antiquada, com cheiro de mofo. Essa temporada caminhava para ser uma das melhores do American Idol, e mesmo assim nenhum candidato conquistara meu coração.
Isso até o Top 9. O Kris destruiu com Ain’t no Sunshine. Simplesmente arrasou. Ele foi cool, moderno, escolheu uma música ótima e fez uma versão que dava vontade de ouvir no rádio. O que me impediu de virar fã de imediato foi a excelente apresentação do Danny na mesma semana. O Gokey ainda poderia dar uma virada no jogo.
Porém, o jogo continuou e o Danny voltou a cafonice habitual, o Adam continuou com grandes performances que nunca conquistavam meu coração. Era muito bom de assistir, mas um pouco enjoativo de escutar fora do daquele contexto. Quase que comecei uma torcida pela Ally por simples falta de opção. Então o Kris veio com Falling Slowly, não teve jeito. A performance perfeita, e a escolha de uma música excelente. Virei fã, revi todo o trabalho do garoto até aquele ponto na competição e fiquei viciada em seus estúdios.
O Kris é moderno, e ao contrário de Megan não dá aquela impressão de “Já vi isso em algum lugar do Reino Unido”. Ele tem bom gosto, ele trata bem suas músicas, faz arranjos bacanas, que encaixam em seu estilo. E o rapaz canta! Não tem o mesmo alcance vocal do Adam, mas nunca desafina, e tem uma voz tão bonita de escutar.
O Danny e o Adam foram super pimpados. Um desrespeito a Paula declarar logo no Top 13 que eles seriam os finalistas. Mas, até o Top 5 a pimpação aos favoritos não prejudicava o Kris, pois ele mantinha seu alto nível e com isso conseguia boas críticas. A partir desse ponto, Simon e cia começaram seus joguinhos para tentar cavar seus finalistas. Ele e Paula em cima de Danny e Adam, e a Kara por trás da Alysson. Isso me irritou, porque o Kris continuou indo muito bem, fez uma belíssima apresentação no Top 5 e o Simon teve a cara de pau de dizer que foi ruim, só para no outro dia retirar.
Nem a tão mal falada versão de Come Together eu achei ruim. E olha que essa é a minha musica favorita dos Beatles, sendo Beatles uma das minhas bandas favoritas. Eu adorei a guitarra mais pesada! Lógico, não foi o melhor momento dele, mas não achei um desastre, longe disso. O comentário do Simon sobre o dueto com o Gokey não só foi uma falta de resepeito, com uma total falta de bom senso. “Danny você é melhor que Kris.” Momento mais ridículo do Simon na temporada inteirinha. Ainda bem que Danny fez o favor de calar a boca do jurado com uma das piores apresentações do ano. Pura vergonha alheia o grito do Danny.
Na semifinal, todos os jurados estavam com uma imensa boa vontade em relação a Danny e Adam. Afinal, esta era a final dos sonhos dês do início. Novamente o Kris não foi toda essa ruindade que falaram cantando Apologize, a música é ótima e encaixou-se direitinho em sua voz. Não importou. Todo mundo ali achava que terceiro lugar já estava mais do que suficiente.
Kris então teve que fazer o impossível. Sobrepujar a pimpação meio gratuita em relação a Danny (Na minha opinião só em duas músicas ele não foi o rei da breguice!) e o espetáculo performático do Adam, nos entregando a melhor performance da noite, e na minha opinião, da temporada todinha. Ele destruiu tanto, mas tanto com Heartless, que nem o Simon conseguiu achar defeito, e olha que a má vontade do homem era imensa. Digo mais, se fosse em um Top 7 da vida o Randy teria aplaudido de pé, só não o fez para não pimpar.
O Simon não cansa de dizer que Kris foi a final por conta de |Heartless. Mentira! Ele foi por culpa de uma temporada perfeita, com músicas boas de escutar, vocais bem feitos, humildade e trabalho duro. Em um Top 4 cheio de cantores de voz potentíssima, ele foi só na manha e com estilo. E de todos os cds, provavelmente o dele vai ser o mais bacana de ouvir.
Eu não me importo se o Adam ganhar. Ele é fantástico no palco. Já estou feliz em poder ver o Kris fazer todas as apresentações, e de quebra calar a boca dos jurados. Eu sei que ele vai gravar um cd, e vou estar lá, na maior expectativa por um trabalho incrível, como tem sido sua temporada nesta American Idol. Mas que ia ser incrível ver meu candidato do coração ser coroado, contra tudo e contra todos, ia sim!
domingo, 17 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Maluca, maluca.
O meu sentido favorito é o olfato.
Adoro cheiros! Conhecer o perfume das minhas amigas é uma questão de segurança emocional. Aqui em casa, eu sou a patrulha do perfume, se a mamãe sai sem ele eu reclamo. Se o Lucas sai sem perfume eu reclamo! Eu passo boas horas do meu tempo livre pensando em perfumes para as pessoas de quem eu gosto. Se eu tivesse dinheiro para tal, daria perfumes em todos os aniversários.
Não me levem a mal, mas eu sou maluca obsessiva pelas coisas que gosto. Não me basta apenas gostar de passar perfume, eu tenho de encher o saco das pessoas falando disso. É a mesma coisa com cinema, não me basta apenas gostar de um filme, toda vez que chego em casa do cinema tenho necessidade de procurar criticas publicadas a respeito do filme. Se eu não ficar 3 dias falando dele para todas as pobres almas que me rodeiam, então não foi uma experiência completa. Com musicas eu sou assim, ouço a mesmíssima música o dia todo. Não vou nem entrar no campo da medicina, porque ai eu simplesmente sou chata e reconheço. Toda vez que penso estar me controlando, vem alguém e comenta “Mas tu falas muito a respeito da medicina né.”.
Adoro cheiros! Conhecer o perfume das minhas amigas é uma questão de segurança emocional. Aqui em casa, eu sou a patrulha do perfume, se a mamãe sai sem ele eu reclamo. Se o Lucas sai sem perfume eu reclamo! Eu passo boas horas do meu tempo livre pensando em perfumes para as pessoas de quem eu gosto. Se eu tivesse dinheiro para tal, daria perfumes em todos os aniversários.
Não me levem a mal, mas eu sou maluca obsessiva pelas coisas que gosto. Não me basta apenas gostar de passar perfume, eu tenho de encher o saco das pessoas falando disso. É a mesma coisa com cinema, não me basta apenas gostar de um filme, toda vez que chego em casa do cinema tenho necessidade de procurar criticas publicadas a respeito do filme. Se eu não ficar 3 dias falando dele para todas as pobres almas que me rodeiam, então não foi uma experiência completa. Com musicas eu sou assim, ouço a mesmíssima música o dia todo. Não vou nem entrar no campo da medicina, porque ai eu simplesmente sou chata e reconheço. Toda vez que penso estar me controlando, vem alguém e comenta “Mas tu falas muito a respeito da medicina né.”.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Fofoletes da minha vida.

Final do convênio, eu me lembro bem, aquela melancolia no ar, aquela incerteza em relação ao destino. Chorei muito nessa época de minha vida. Pressão absurda do vestibular, incertezas a respeito do futuro, um mundo totalmente diferente a espreita. Ninguém sabia muito bem o que iria acontecer, quem ia passar no vestibular, quem não, quem iria permanecer amigo, quem iria desaparecer.
Eu tive sorte de ter feito convênio na melhor turma que o colégio Santa Catarina de Senna já teve, tanto em resultados como em atitude. Quase sem exceção, todas aquelas pessoas valem uma saudadezinha. Nem que seja de uma piadinha feita 5 horas da tarde, véspera de simulado, a respeito do vestibular de alguma faculdade particular.
Mas, de todas as incertezas, a mais dolorosa, até mais do que a do resultado do vestibular em si, era a incerteza quanto ao futuro das minhas amizades. Especificamente, a incerteza quanto ao futuro das Fofoletes. Logo eu, que sempre fui a mais distante, a mais na minha, a que disfarçava qualquer sentimento com gracinhas e a que muitas vezes preferia interagir com todo mundo menos com as garotas da minha vida. Eu jurava que iria ser a primeira de quem iriam esquecer.
Hoje, quase 3 anos depois, fico feliz em ver que não, que elas continuam sendo as garotas da minha vida, as mais legais, as mais bonitas! Que a gente continua firme e forte, do jeito que dá! E que, apesar de eu ser completamente maluca e desequilibrada, sempre que volto para CASA elas estão de braços abertos, tentando quebrar a minha casca e me fazer ver que eu não sou forte, que eu não preciso ser forte por todo o mundo e que também não preciso me envergonhar da minha fraqueza como um bicho ferido que se afasta da manada.
É lindo saber que me sinto ligada a elas hoje, mais do que antes. É lindo saber que apesar de nem sempre parecer eu as amo, todas, e as considero grande parte do meu sol.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Just a memory and those dreams.

A garota se sentou, tirou o sapato apertado, colocou os pés em cima da cama e abraçou os seus joelhos. Ela já não era mais tão garota, verdade. A vida batia na porta de sua casa, pedindo passagem, e o fato dela se fazer de desentendida não mudava nada, mais cedo ou mais tarde ela teria que atender ao chamado.
Ela se lembrou de um dia, alguns anos atrás, quando realmente ainda era uma garota. Foi numa tarde bonita, em Belém, tarde de outubro. Ela caminhou pelo centro, jogando conversa fora. Simplesmente andar e caminhar, se a companhia for boa, nada mais se faz necessário. Ele era a melhor companhia que se poderia pedir.
Infelizmente, ambos eram novos demais para perceberem o que estava acontecendo. Não que jovens não tenham malícia. Não era isso que lhes faltava. Era o simples saber a respeito do quão raras são as boas companhias, naquele patamar de entendimento.
Ao final da tarde caiu uma chuva leve. Eles se abrigaram em um ponto de táxi vazio. Os carros passavam, transito confuso. Ambos se olharam nos olhos e se viram um no outro. Sorriram. O momento estava perdido.
sábado, 11 de abril de 2009
Bar ruim é lindo, bicho
Me abri lendo isso!
Não me considero meio intelctual, meio de esquerda. Mas adoro um bar ruim, ainda mais quando o preço da cerveja ainda é razoável.
Bar ruim é lindo, bicho
Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
Não me considero meio intelctual, meio de esquerda. Mas adoro um bar ruim, ainda mais quando o preço da cerveja ainda é razoável.
Bar ruim é lindo, bicho
Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Volta.
Felicidade, para mim, é ver a noite passar em alta velocidade através das janelas do carro. Álcool no sangue, dor nos pés devido ao salto, talvez alguma aventura para contar e a cidade vazia. Mais do que a simples “bombação” o que eu gosto mesmo é de voltar pra casa!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
3 de abril
Estranho pensar a respeito de meus pais, pois tenho consciência da mudança que a chegada dos filhos causa na vida de um ser humano. Portanto, papai e mamãe que conheci são pessoas profundamente influenciadas pela minha presença no mundo, e eu nunca os conhecerei longe de tal contexto.
Sobre essa realidade, eu sinto uma inveja de todos aqueles que conheceram meu pai antes de mim. De todos os amigos, dos meus tios e até da mamãe. Porque eles têm muito mais material de convivência do que eu, com meus apenas 16 anos. Eles conheceram um lado do papai que eu queria muito ter visto. Meu pai jovem, garoto vindo de Macapá pra estudar medicina em Belém, apaixonado pela revolução comunista e tudo e tals. Acho que isso é pura saudade, que me faz querer ter mais coisas para lembrar.
Foi bem legal ser filha de um sujeito como ele. Um sujeito desapegado das formalidades. Um cara que nunca limitou suas conversas com os filhos por questões de idade, ele conversava conosco sobre assuntos cascudos tipo política como se fossemos bem mais velhos. Que nunca nos impediu de sermos seus amigos, apesar de sermos também filhos.
O papai não era um sujeito dado a demonstrações de afeto convencionais. Mas era tão obvio o quanto ele gostava de estar conosco, que eu nunca tive dúvidas de que ele me amava. E eu sinto saudades disso, dessa certeza absoluta. Saudades de meu grande companheiro. Hoje ele estaria completando 50 anos. Parabéns aí velho!
Sobre essa realidade, eu sinto uma inveja de todos aqueles que conheceram meu pai antes de mim. De todos os amigos, dos meus tios e até da mamãe. Porque eles têm muito mais material de convivência do que eu, com meus apenas 16 anos. Eles conheceram um lado do papai que eu queria muito ter visto. Meu pai jovem, garoto vindo de Macapá pra estudar medicina em Belém, apaixonado pela revolução comunista e tudo e tals. Acho que isso é pura saudade, que me faz querer ter mais coisas para lembrar.
Foi bem legal ser filha de um sujeito como ele. Um sujeito desapegado das formalidades. Um cara que nunca limitou suas conversas com os filhos por questões de idade, ele conversava conosco sobre assuntos cascudos tipo política como se fossemos bem mais velhos. Que nunca nos impediu de sermos seus amigos, apesar de sermos também filhos.
O papai não era um sujeito dado a demonstrações de afeto convencionais. Mas era tão obvio o quanto ele gostava de estar conosco, que eu nunca tive dúvidas de que ele me amava. E eu sinto saudades disso, dessa certeza absoluta. Saudades de meu grande companheiro. Hoje ele estaria completando 50 anos. Parabéns aí velho!
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