sábado, 11 de abril de 2009

Bar ruim é lindo, bicho

Me abri lendo isso!
Não me considero meio intelctual, meio de esquerda. Mas adoro um bar ruim, ainda mais quando o preço da cerveja ainda é razoável.




Bar ruim é lindo, bicho
Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Volta.

Felicidade, para mim, é ver a noite passar em alta velocidade através das janelas do carro. Álcool no sangue, dor nos pés devido ao salto, talvez alguma aventura para contar e a cidade vazia. Mais do que a simples “bombação” o que eu gosto mesmo é de voltar pra casa!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

3 de abril

Estranho pensar a respeito de meus pais, pois tenho consciência da mudança que a chegada dos filhos causa na vida de um ser humano. Portanto, papai e mamãe que conheci são pessoas profundamente influenciadas pela minha presença no mundo, e eu nunca os conhecerei longe de tal contexto.
Sobre essa realidade, eu sinto uma inveja de todos aqueles que conheceram meu pai antes de mim. De todos os amigos, dos meus tios e até da mamãe. Porque eles têm muito mais material de convivência do que eu, com meus apenas 16 anos. Eles conheceram um lado do papai que eu queria muito ter visto. Meu pai jovem, garoto vindo de Macapá pra estudar medicina em Belém, apaixonado pela revolução comunista e tudo e tals. Acho que isso é pura saudade, que me faz querer ter mais coisas para lembrar.
Foi bem legal ser filha de um sujeito como ele. Um sujeito desapegado das formalidades. Um cara que nunca limitou suas conversas com os filhos por questões de idade, ele conversava conosco sobre assuntos cascudos tipo política como se fossemos bem mais velhos. Que nunca nos impediu de sermos seus amigos, apesar de sermos também filhos.
O papai não era um sujeito dado a demonstrações de afeto convencionais. Mas era tão obvio o quanto ele gostava de estar conosco, que eu nunca tive dúvidas de que ele me amava. E eu sinto saudades disso, dessa certeza absoluta. Saudades de meu grande companheiro. Hoje ele estaria completando 50 anos. Parabéns aí velho!

terça-feira, 31 de março de 2009

Backbeat the word is on the street
That the fire in my heart is out
I'm sure I've heard it all before
But I never really had a doubt

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Navegar é preciso"

Meu signo. Pra quem acredita, ou não, em horóscopo. Eu me identifico muito com esse signo, independente de qualquer crença. Entoses aí vai um perfil básico, tirado do site do uol.


Um ciclo se encerra - algo se extingue ao mesmo tempo em que se pressente o nascimento de algo novo. O navio que singra os mares vastos é símbolo também desse signo, o último da série do zodíaco. É preciso partir, embora não se possa enxergar com clareza o rumo a ser seguido. Não faz mal: os Peixes sempre sabem para onde se deve navegar. È este o signo que escuta os rumores do infinito, que segue o pressentimento, chegando humilde no porto -e sem fazer alarde, dá exemplo de grande misericórdia. Nesse navio, sempre cabe mais um, porque todos podem ser salvos, aliás, todos serão salvos.

O tema da salvação e da perdição, a figura do santo e do louco, ambos fazem parte do simbolismo de Peixes, que está sempre na fronteira de dois mundos. Aqui, se aprende que tudo termina no mar - o oceano recebe todas as águas, todos os detritos da civilização também. Sem julgar, ele recebe o que já útil, tragando em suas águas as memórias de centenas de histórias extintas. Para cumprir essa tarefa de extrema compaixão por todas as formas de vida, Peixes é maleável, versátil.

É um signo mutável, realmente. Segue com os ventos, que empurram as velas do navio. Isso Talvez seja esse o mistério que Peixes evoca por onde passa. Mas ele não fala, apenas acolhe, mistura todas as pessoas na festa e ela vira um sucesso. Antenado no infinito ele sabe presentear como ninguém - com seu ar distraído, pisando as estrelas, vai captando o que é impalpável, o que não se exibe com clareza - e depois, surge com o presente que fala direto ao coração de alguém. Mas exatamente por esta capacidade, peixes carrega, vez por outra, os detritos da humanidade, na forma de sentimentos e emoções alheias que vão se juntando ao seu sentimento.

Por vezes, a carga deste mundo é tão pesada que ele entende o que Cristo (cujo símbolo era um peixes, aliás), queria dizer quando falava "meu reino não é deste mundo". O reino de Peixes é o da arte, da música, da poesia, dos espaços siderais também. Viajante eterno, andarilho dos caminhos santos, pescador de almas perdidas, parece ter uma conexão direta com o reino imaterial, com as impressões e imagens. Daí usa a sua maravilhosa imaginação e seu enorme poder de sentir os espaços.

Em Peixes, tudo é grande, vasto, infinito. Tanto que, no reino animal o signo rege as baleias e os grandes seres do oceano, assim como os elefantes, que caminham sobre a terra. No desespero, Peixes se perde, já não sabe mais o caminho - desconhece quem é, se desintegra nas mil dores da humanidade e de toda a criação. Alma sensível, sabedoria inata, não quer convencer ninguém, talvez porque entenda tudo.

No fundo, perdoa a todos - e se não fizer um esforço para discriminar muito bem o que vive, acaba se fazendo mal. Peixes tende ao escapismo, pois como este não é bem seu mundo, ou tem dificuldade em encontrar um lugar claro para si nas esferas ordenadas da sociedade, termina muitas vezes optando por doar sua simpatia e amor ao que nada tem. É no hospital, no orfanato, no asilo que o Peixes está presente, fazendo as vezes de anunciador de um novo ciclo, barqueiro que ajuda a alcançar uma outra margem do rio.


Ao generoso Peixes, só cabe anunciar o sentido ou perguntar-se sobre ele.

Toda essa mistura de fantasia, pressentimento, docilidade e sabedoria termina compondo um ser atraente e misterioso. Romântico como ele só, cheio de lirismo, envolve quem ama com mil pequenas surpresas - e muitas vezes escolhe mal seu parceiro, para depois sofrer - Peixes tem uma pequena queda para o sofrimento.

No amor, usa e abusa de seu poder de descobrir o que não é revelado - mas não para controlar, mas para ter um encontro de alma mais profundo e completo. Por ser instável como o oceano, curioso e explorador, pode não se adaptar muito bem à vida do casamento, embora seja um dos amantes mais devotados do zodíaco.

Os Peixes regem os pés, que carregam todo o peso do corpo, limite mais humilde - e fundamental, pois são eles que nos carregam para toda parte. Sem prestar muita atenção onde coloca os pés, Peixes de tempos em tempos é lembrado de sua conexão com a terra por meio de afecções nessa parte do corpo. Aos poucos, sua alma antiga vai aprendendo que também é preciso manter os pés na terra para poder continuar anunciando o mundo que pressente.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Verdades por de trás de um hábito

Grande parte de quem somos é formada por nossos hábitos. Os meus, pelo menos, são bem sinceros a meu respeito. Mesmo os que odeio! Leva-se muito tempo para se tentar ser uma pessoa interessante. Bons filmes, boas músicas, opiniões sobre religião, política e futebol... Mas o dia a dia, se bem observado, te desconstrói, tira tua maquiagem, quebra teu salto, bagunça teu cabelo.
É difícil mudar um hábito, mais difícil ainda mudar um mau hábito. Parar de comer comida salgada no almoço, deixar de ser sedentária, estudar duas horas todos os dias, deixar de passar tanto tempo no msn e ir ler um livro... Todas essas coisas que me deixariam uma pessoa melhor. As coisas que me tornariam a pessoa que eu quero ser, e não simplesmente quem sou.
Tanta enrolação para dizer o quão difícil é te esquecer. Porque eu sou muito acostumada com a nossa pseudorelação, é muito familiar, muito segura. És uma solução deliciosamente fácil para os dias ruins, um sorriso garantido, as vezes até a tua indiferença é melhor do que o vazio de um nada.
Existem dias em que eu tenho que lutar com forças que vão além de mim para simplesmente não ceder ao alívio rápido da tua companhia. Porque eu sei que isso não é solução para nada, pelo contrário, é apenas um subterfúgio utilizado por uma criança que não sabe lidar com seus problemas. O alívio que proporcionas a minha solidão é apenas uma desculpa para eu continuar sozinha. Minha desculpa para sair dizendo aos 4 ventos que lido bem com isso, que não preciso de ninguém me regulando. Minha mascara de auto-suficiência.
Finalmente eu cansei da já tradicional frustração semestral. Não tenho mais paciência para esperanças vãs. Até para uma sonhadora como eu, chega uma hora em que se quer qualquer coisa concreta, nem que seja uma decepção com algum carinha que definitivamente não é como você.
Mas sabe de uma coisa? Você tem me ajudado a perder o costume. Porque toda a vez que a vontade aperta, eu tenho tomado a decisão de esperar você fazer algo. Surpreendentemente, você nunca faz nada! Isso renova as minhas forças, porque renova a minha certeza de que essa história é unilateral. Estou a passos de perder o meu pior hábito. Antes só do que apenas sem você!

domingo, 15 de março de 2009

Evangelização terrorista

Domingo de manhã, quando eu ainda estava de pijama, duas senhoras bateram na porta de casa. Elas eram da igreja Testemunhas de Jeová, e estavam a pregar o Evangelho. Eu me propus a ouvir a pregação, pois normalmente não tenho coragem de recusar alguém que bate na minha porta para falar a respeito de Deus. Elas citaram dois versículos do evangelho de São Mateus, para quem não esta familiarizado, 2 versículos são pequeninos trechos de um capítulo inteiro. A seguir um retirado de Mateus, capitulo 15 versículos 8 e 9:

“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim; o culto que me prestam é inútil, pois a doutrina que ensinam são preceitos humanos.”

Antes de lerem o trecho, as duas simpáticas senhoras me fizeram uma pergunta: “Você acha que todo o tipo de adoração que você faz a Deus é de fato ouvida?” Porque, se você seguir a religião errada, nem toda a prece do mundo será suficiente para te salvar. Não bastava simplesmente fé.
Eu fiquei transtornada com a mensagem. Pela primeira vez em 20 anos de vida eu estava sendo ameaçada através de uma Bíblia, pelo novo testamento, aquele que narra a vida e morte de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou pelos meus pecados.
Lendo o texto completo descobri que este cita Isaías, um profeta importante, portanto não são palavras do Messias em si. Ao ler todo o capítulo, eu vi que o tal versículo foi totalmente retirado de seu contexto. Basicamente o que acontece em tal passsagemé que Jesus responde aos Fariseus quando estes questionam que alguns de seus hábitos não seguem às tradições Judaicas. Jesus condena a hipocrisia de quem põem os preceitos religiosos acima da fé em si.
O que Jesus nos diz, ao longo de toda a Bíblia, é a importância de sermos verdadeiramente cristãos. Ser cristão é difícil, muito difícil. É difícil amar ao próximo, é difícil ter fé, amar a Deus sobre todas as outras coisas. Nada tem a ver com religião certa ou errada, tem mais a ver com como você conduz a sua vida.
Jesus afirma que ele É o templo. O importante não é ir à igreja aos domingos, andar somente de saia ou cortar os cabelos. O importante é Ele! Todos os pecados serão perdoados se você ao menos tentar ser cristão (eu acho que o único cristão verdadeiro foi ele, portanto, como meros humanos nós só podemos tentar.). O único pecado que não será perdoado é o pecado contra o espírito.
Toda terça-feira, tenho participado de um grupo de estudos bíblicos conduzido pelo Padre Cláudio, um italianão marrento que tem doutorado em comunicação e perde seu tempo lendo a bíblia com um grupo de leigos. Ele nos disse que a Bíblia é um texto bem claro, não existem armadilhas filosóficas escondidas (Eu discordo disso, existem partes que referenciam outros textos bíblicos ou elementos da cultura judaica da época, e fica complicadinho para se ter uma compreensão satisfatória sem a devida orientação. Sem contar as partes em que a simples mensagem em si é complicada!). E o que eu tenho lido nesses textos é a respeito de um Jesus que condenava a hipocrisia vigente entre os Doutores da Lei. Jesus Cristo, acreditem, era um sujeito subversivo, e por isso ele foi crucificado.
Infelizmente, eu tenho constatado também que muitos religiosos, especialmente na minha igreja, têm tomado tal papel de Fariseus para si. Quando eles se preocupam mais com o fato de jovens transarem antes ou depois do casamento do que com o fato de não serem missionários, eles estão dando mais importância à questões superficiais do que à fé.
Esse recurso perverso de isolar e distorcer o evangelho tem bastado para evitar questionamentos a respeito das doutrinas da igreja, assim como questionamentos internos nos próprios fiéis. Não há indagação a respeito de o que é, afinal, ser verdadeiramente cristão. Muitos se contentam somente em citar trechos de maior impacto, sem aprofundamento. Outros simplesmente se afastam, pois tais preceitos tão fervorosamente pregados estão muito distantes da realidade de suas vidas.
Jesus é um cara legal, a sua mensagem é atual. Esse grande olho que tudo vê, tudo julga e tudo condena não tem a ver com ele, mas sim com a nossa sociedade hipócrita. O que importa é a tua fé, o teu amor ao próximo e não o que tens feito sábado à noite.