Domingo de manhã, quando eu ainda estava de pijama, duas senhoras bateram na porta de casa. Elas eram da igreja Testemunhas de Jeová, e estavam a pregar o Evangelho. Eu me propus a ouvir a pregação, pois normalmente não tenho coragem de recusar alguém que bate na minha porta para falar a respeito de Deus. Elas citaram dois versículos do evangelho de São Mateus, para quem não esta familiarizado, 2 versículos são pequeninos trechos de um capítulo inteiro. A seguir um retirado de Mateus, capitulo 15 versículos 8 e 9:
“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim; o culto que me prestam é inútil, pois a doutrina que ensinam são preceitos humanos.”
Antes de lerem o trecho, as duas simpáticas senhoras me fizeram uma pergunta: “Você acha que todo o tipo de adoração que você faz a Deus é de fato ouvida?” Porque, se você seguir a religião errada, nem toda a prece do mundo será suficiente para te salvar. Não bastava simplesmente fé.
Eu fiquei transtornada com a mensagem. Pela primeira vez em 20 anos de vida eu estava sendo ameaçada através de uma Bíblia, pelo novo testamento, aquele que narra a vida e morte de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou pelos meus pecados.
Lendo o texto completo descobri que este cita Isaías, um profeta importante, portanto não são palavras do Messias em si. Ao ler todo o capítulo, eu vi que o tal versículo foi totalmente retirado de seu contexto. Basicamente o que acontece em tal passsagemé que Jesus responde aos Fariseus quando estes questionam que alguns de seus hábitos não seguem às tradições Judaicas. Jesus condena a hipocrisia de quem põem os preceitos religiosos acima da fé em si.
O que Jesus nos diz, ao longo de toda a Bíblia, é a importância de sermos verdadeiramente cristãos. Ser cristão é difícil, muito difícil. É difícil amar ao próximo, é difícil ter fé, amar a Deus sobre todas as outras coisas. Nada tem a ver com religião certa ou errada, tem mais a ver com como você conduz a sua vida.
Jesus afirma que ele É o templo. O importante não é ir à igreja aos domingos, andar somente de saia ou cortar os cabelos. O importante é Ele! Todos os pecados serão perdoados se você ao menos tentar ser cristão (eu acho que o único cristão verdadeiro foi ele, portanto, como meros humanos nós só podemos tentar.). O único pecado que não será perdoado é o pecado contra o espírito.
Toda terça-feira, tenho participado de um grupo de estudos bíblicos conduzido pelo Padre Cláudio, um italianão marrento que tem doutorado em comunicação e perde seu tempo lendo a bíblia com um grupo de leigos. Ele nos disse que a Bíblia é um texto bem claro, não existem armadilhas filosóficas escondidas (Eu discordo disso, existem partes que referenciam outros textos bíblicos ou elementos da cultura judaica da época, e fica complicadinho para se ter uma compreensão satisfatória sem a devida orientação. Sem contar as partes em que a simples mensagem em si é complicada!). E o que eu tenho lido nesses textos é a respeito de um Jesus que condenava a hipocrisia vigente entre os Doutores da Lei. Jesus Cristo, acreditem, era um sujeito subversivo, e por isso ele foi crucificado.
Infelizmente, eu tenho constatado também que muitos religiosos, especialmente na minha igreja, têm tomado tal papel de Fariseus para si. Quando eles se preocupam mais com o fato de jovens transarem antes ou depois do casamento do que com o fato de não serem missionários, eles estão dando mais importância à questões superficiais do que à fé.
Esse recurso perverso de isolar e distorcer o evangelho tem bastado para evitar questionamentos a respeito das doutrinas da igreja, assim como questionamentos internos nos próprios fiéis. Não há indagação a respeito de o que é, afinal, ser verdadeiramente cristão. Muitos se contentam somente em citar trechos de maior impacto, sem aprofundamento. Outros simplesmente se afastam, pois tais preceitos tão fervorosamente pregados estão muito distantes da realidade de suas vidas.
Jesus é um cara legal, a sua mensagem é atual. Esse grande olho que tudo vê, tudo julga e tudo condena não tem a ver com ele, mas sim com a nossa sociedade hipócrita. O que importa é a tua fé, o teu amor ao próximo e não o que tens feito sábado à noite.
domingo, 15 de março de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Drops
Trecho de Young Folks, Peter Bjorn And John.
It doesn't matter what you did
Who you were hanging with
We could stick around and see this night through
And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you
Usually when things has gone this far
People tend to disappear
No one will surprise me unless you do
I can tell there's something goin' on
Hours seems to disappear
Everyone is leaving I'm still with you
It doesn't matter what we do
Where we are going too
We can stick around and see this night through
Eu conheci essa música dia desses, mas me lembrou uma boa época da minha vida. Bons tempos, 14, 15 anos, coisas legais aconteceram nessa época. Incrivelmente, todas as missas de 15 anos das minhas amigas eram eventos emocionantes, cheios de aventuras. E meu fotolog era muito mais visitado do que essa bagaça. Égua aquele fotolog me meteu no maior mal entendido de toda a minha vida. Acho que foi a coisa mais desagradavel que me lembro daquele periodo. Mesmo assim, saudades!
Meu playlist atualmente tem sido Young Folks, Little Joy ( no começo eu torci o nariz pra banda, mas me apaixonei quando vi o clip cheirando a mofo de No One’s Better Sake), Pat Benatar (influência musical direta de Guitar Hero!!!) e o novo CD do Nosso Tom.
Pra fechar 3 congratulações:
Parabéns à Karollina Di Paula Rodrigues Salgado, pelo lindo título de 3 princesa do carnaval.
Parabéns ao primo Neto pela aprovação no vestibular de medicina da UFPA. Bem vindo ao clube!
Parabens ao primo-irmão Lucas por ter passado na residência pra neurologia. Cacete, o tio Paru deve ser o pai mais orgulhoso do mundo por causa desses 2, viu!
It doesn't matter what you did
Who you were hanging with
We could stick around and see this night through
And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you
Usually when things has gone this far
People tend to disappear
No one will surprise me unless you do
I can tell there's something goin' on
Hours seems to disappear
Everyone is leaving I'm still with you
It doesn't matter what we do
Where we are going too
We can stick around and see this night through
Eu conheci essa música dia desses, mas me lembrou uma boa época da minha vida. Bons tempos, 14, 15 anos, coisas legais aconteceram nessa época. Incrivelmente, todas as missas de 15 anos das minhas amigas eram eventos emocionantes, cheios de aventuras. E meu fotolog era muito mais visitado do que essa bagaça. Égua aquele fotolog me meteu no maior mal entendido de toda a minha vida. Acho que foi a coisa mais desagradavel que me lembro daquele periodo. Mesmo assim, saudades!
Meu playlist atualmente tem sido Young Folks, Little Joy ( no começo eu torci o nariz pra banda, mas me apaixonei quando vi o clip cheirando a mofo de No One’s Better Sake), Pat Benatar (influência musical direta de Guitar Hero!!!) e o novo CD do Nosso Tom.
Pra fechar 3 congratulações:
Parabéns à Karollina Di Paula Rodrigues Salgado, pelo lindo título de 3 princesa do carnaval.
Parabéns ao primo Neto pela aprovação no vestibular de medicina da UFPA. Bem vindo ao clube!
Parabens ao primo-irmão Lucas por ter passado na residência pra neurologia. Cacete, o tio Paru deve ser o pai mais orgulhoso do mundo por causa desses 2, viu!
domingo, 8 de fevereiro de 2009
1989
Eu? Bem, eu sou um típico produto da minha geração. Assim como meu pai foi um típico de sua geração e meus avós, bem, ainda não se inventara a adolescência naquela época.
Crescemos em um mundo pós queda do muro de Berlim. Nenhuma grande utopia tocou os nossos corações. Nós não vamos mudar o mundo! Não através de uma revolução. A nossa luta é contra nós mesmos, os nossos hábitos. Contra o aquecimento global, o desmatamento, o câncer, a pobreza. Acho que a questão é mais transformar esse capitalismo excessivamente idiota, que teve total liberdade de mercado e por isso deu um tiro no pé.
Eu faço parte da primeira geração da história que teve pais legais. Os meus, pelo menos, foram ótimos. O fato é que além de amá-los profundamente, muitos puderam gostar deles também. Somos também acostumados com o divorcio, com famílias em formato de mosaico. Não foi meu caso, mas eu nunca deixei de ser amiga de uma coleguinha que tinha a mãe desquitada.
Eu sou uma brasileira de classe média ordinária. Eu tenho internet de banda larga e uma grande mesa de estudos no meu quarto. Eu posso passar o dia inteiro aqui, descendo somente para comer. A rua não foi meu parquinho, até porque eu cresci com medo dela. Acuada pela violência.
Nunca fui pressionada a pertencer a uma tribo. Sempre pude ser tão nerd quanto paty, tão cdf quanto baladeira. Ninguém nunca me recriminou por ir ao pagode e ouvir interpol em casa.
Nós temos muita informação. Nós temos o google, a wikipédia, o youtube, os blogs, o myspace e a livre informação. Eu não vi nem um terço dos filmes cujos nomes e roteiros eu tenho certa familiaridade. A maioria das bandas que escuto, conheço só uma ou duas musicas.
Nós somos uma geração meio incompreendida, os velhos nos chamam de alienados, mas somos na verdade pé no chão. Sim, lógico, em muitos pontos somos uns bostas. Mas eu quero só ver, daqui a 41 anos, quem vai ter feito mais pelo mundo, a geração de 68 que hoje está no poder, ou nós, os acomodados.
P.S: Perdoem-me eventuais erros de digitação ou concordância. Eles sempre aparecem, mesmo após muitas revisões. E hoje, especialmente, não pude revisar. O texto ficou grande e já está tarde...(Como se meu blog fosse lido por milhares e milhares de pessoas!)
Crescemos em um mundo pós queda do muro de Berlim. Nenhuma grande utopia tocou os nossos corações. Nós não vamos mudar o mundo! Não através de uma revolução. A nossa luta é contra nós mesmos, os nossos hábitos. Contra o aquecimento global, o desmatamento, o câncer, a pobreza. Acho que a questão é mais transformar esse capitalismo excessivamente idiota, que teve total liberdade de mercado e por isso deu um tiro no pé.
Eu faço parte da primeira geração da história que teve pais legais. Os meus, pelo menos, foram ótimos. O fato é que além de amá-los profundamente, muitos puderam gostar deles também. Somos também acostumados com o divorcio, com famílias em formato de mosaico. Não foi meu caso, mas eu nunca deixei de ser amiga de uma coleguinha que tinha a mãe desquitada.
Eu sou uma brasileira de classe média ordinária. Eu tenho internet de banda larga e uma grande mesa de estudos no meu quarto. Eu posso passar o dia inteiro aqui, descendo somente para comer. A rua não foi meu parquinho, até porque eu cresci com medo dela. Acuada pela violência.
Nunca fui pressionada a pertencer a uma tribo. Sempre pude ser tão nerd quanto paty, tão cdf quanto baladeira. Ninguém nunca me recriminou por ir ao pagode e ouvir interpol em casa.
Nós temos muita informação. Nós temos o google, a wikipédia, o youtube, os blogs, o myspace e a livre informação. Eu não vi nem um terço dos filmes cujos nomes e roteiros eu tenho certa familiaridade. A maioria das bandas que escuto, conheço só uma ou duas musicas.
Nós somos uma geração meio incompreendida, os velhos nos chamam de alienados, mas somos na verdade pé no chão. Sim, lógico, em muitos pontos somos uns bostas. Mas eu quero só ver, daqui a 41 anos, quem vai ter feito mais pelo mundo, a geração de 68 que hoje está no poder, ou nós, os acomodados.
P.S: Perdoem-me eventuais erros de digitação ou concordância. Eles sempre aparecem, mesmo após muitas revisões. E hoje, especialmente, não pude revisar. O texto ficou grande e já está tarde...(Como se meu blog fosse lido por milhares e milhares de pessoas!)
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo,
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?
( O vencedor - Los Hermanos)
Minha singela homenagem a ultima pessoa que leria esse blog.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Pensamentos
Por mais antiquado, ultrapassado, improvável e inadequado que possa ser, algumas idéias são simplesmente bonitas demais para serem esquecidas.
Às vezes eu duvido que certas coisas sirvam para mim. Às vezes eu duvido que eu conseguiria abrir mão dos meus maus hábitos. Eu gosto demais do meu umbigo.
Mas a verdade é que de todas as pessoas que conheço você me faz pensar que talvez comigo pudesse funcionar. Não sei, talvez seja só a distancia entre a idéia e a realidade que me faça encasquetar com isso. Mas esses são, provavelmente, os mais belos pensamentos que tenho.
Às vezes eu duvido que certas coisas sirvam para mim. Às vezes eu duvido que eu conseguiria abrir mão dos meus maus hábitos. Eu gosto demais do meu umbigo.
Mas a verdade é que de todas as pessoas que conheço você me faz pensar que talvez comigo pudesse funcionar. Não sei, talvez seja só a distancia entre a idéia e a realidade que me faça encasquetar com isso. Mas esses são, provavelmente, os mais belos pensamentos que tenho.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Impaciente.
Eu me transformei em um Garfiled, só que menos ruivo. Sério mesmo, tudo o que tenho feito é comer e dormir. Isso tem me irritado profundamente.
Odeio o meu atual estado de torpor. Porque ao mesmo tempo em que me sinto inconformada, revoltada com o mundo, eu também não consigo me expressar a contento. Nada do que venho escrevendo me satisfaz, nada diz realmente o que tenho pensado. Não vejo a hora dessa nuvem passar. Já fiquei tempo demais sob neblina, agora conto os dias, impaciente, para ter pelo menos minha cabeça funcionando como sempre.
Odeio o meu atual estado de torpor. Porque ao mesmo tempo em que me sinto inconformada, revoltada com o mundo, eu também não consigo me expressar a contento. Nada do que venho escrevendo me satisfaz, nada diz realmente o que tenho pensado. Não vejo a hora dessa nuvem passar. Já fiquei tempo demais sob neblina, agora conto os dias, impaciente, para ter pelo menos minha cabeça funcionando como sempre.
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